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Jogos: Conceitos e Fundamentos - LEGO® Serious Play® METHODS

  • Foto do escritor: Aurivan Sergio J. Silva - Psicólogo - CRP 03/29780
    Aurivan Sergio J. Silva - Psicólogo - CRP 03/29780
  • 4 de jun. de 2017
  • 4 min de leitura

Escrever é uma tarefa não conclusa, que se impõe tanto ao autor como ao leitor. A proposta desse artigo é trazer conceitos sobre o jogo, deixando um ponto de vista sobre a importância do ato de jogar.


Definir o que vem a ser jogo não é tarefa trivial. Ao pronunciarmos a palavra jogo, pode gerar várias interpretações, vários modos diferentes de entendimento. Podemos pensar em várias categorias de jogos: Jogos de crianças, de adultos, de casais, de políticos, de animais.


Podemos até imaginar exemplos de alguns jogos populares que permearam nossa infância, como o jogo da amarelinha, da cabra cega, esconde-esconde,do garrafão.


Nestes tipos de jogos sempre há uma forte presença de uma situação imaginária, de muita diversão e regras estabelecidas, que permitem o jogo fluir de forma democrática e inclusiva.


A literatura aborda o conceito de jogo por vários vieses, um deles é o filosófico. Cito a obra Emílio, de Jean-Jacques Rousseau, um momento em que o lugar do jogo foi reconsiderado na educação. Rousseau influenciou Friedrich Schiller (1995), poeta, filósofo, médico e historiador alemão. Schiller nos trouxe, em carta XV das Cartas sobre a educação estética do homem, que:


“O homem joga somente quando é homem no pleno sentido da palavra, e somente é homem pleno quando joga. ”



Outro importante autor da temática jogo é Johan Huizinga.


(HUIZINGA, 2014, p. 33) traz, o jogo como elemento da cultura , em seu livro Homo Ludens. Conceitua o jogo como:


“Uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente da vida cotidiana” .


Nesse contexto, o jogo e o ato de jogar devem buscar a associação do prazer, da alegria, da espontaneidade e o não-constrangimento.



Piaget (1987) contribuiu sobre esta temática escrevendo a respeito do papel fundamental dos jogos na infância para a formação do adulto:


“O jogo constitui o polo extremo da assimilação da realidade no ego, tendo relação com a imaginação criativa que será fonte de todo o pensamento e raciocínio posterior”.


Huizinga (2014), como já dito, percebe o jogo como elemento da cultura humana. Ele aprofunda essa visão até o seu extremo, quando propõe que o jogo é anterior à cultura, visto que esta pressupõe a existência da sociedade humana, enquanto os jogos são praticados mesmo por animais. Neste quesito o autor acrescenta:


“A existência do jogo não está ligada a qualquer grau determinado de civilização ou a qualquer concepção do universo” (p.32).


O ato de jogar vai para além do “Homo Ludens” e está demarcado na cultura, no tempo e no espaço.


O onde, o quando e o como devem ser claramente pactuado entre os envolvidos no jogo.

Deverá haver liberdade para decidir entre jogar e não jogar, isso é lícito. Pessoas não necessariamente jogam / brincam, com o objetivo de produzir um bem, pode vir como consequência natural, mas não é uma premissa.


Como nos diz Per Kristiansen e Robert Rasmussen (2015), “jogar/brincar é sobre processos; trabalho é sobre resultados”, sendo que o objetivo do método LEGO® SERIOUS PLAY® é a produção de resultados de maneira mais rápida e melhor. Jogar não é perder tempo, ele serve a um propósito que deve estar bem claro entre as partes interessadas.


O fato é que existem muitos benefícios no ato de brincar, de jogar:

  • Jogar é algo atraente;

  • Jogar é motivador;

  • Inclui elementos de surpresa e incerteza;

  • Traz embutido um senso de ilusão ou mesmo de exagero.

Biologicamente influencia no desenvolvimento do cérebro, no sentido que atividades lúdicas, cada vez mais complexas, faz com que novas redes neurais sejam adicionadas, como nos traz Brown (2009):


“Brincadeiras são como um fertilizante para o crescimento do cérebro. É maluco não utilizá-las. “


Socialmente o jogo contribui no desenvolvimento das respostas emocionais a diversos acontecimentos inesperados e ambíguos que nos ocorrem no transitar pela vida, nos fornecendo mais habilidades para lidar com os enfrentamentos, redefinindo competências sociais, aprimorando nossa inteligência emocional.


Sobre isso Brown (2009) nos diz:


“Brincar nos dá ironia de lidar com o paradoxo, a ambiguidade e o fatalismo. Ela nutre as raízes da confiança, da empatia, do cuidar e do compartilhar. “


Por fim, brincar contribui para o aprendizado e para o autodesenvolvimento das pessoas. É um convite para avaliarmos nossas capacidades e habilidades.


No contexto do ato de jogar, há uma tendência de nos sentirmos mais seguros, criando o ambiente onde nos autorizamos a correr mais riscos, sem maiores preocupações, podemos imaginar o inimaginável, saímos da caixa. Estamos mais propensos a realizar o que parecia impossível!


Brown (2009) traz que:


“Quando paramos de brincar, paramos de nos desenvolver: Quando isso acontece, as leis da entropia assumem – e as coisas desmoronam. “


O método LEGO® SERIOUS PLAY® METHODS adiciona uma nova categoria ao jogo: jogo sério!


No próximo artigo, abordarei o conceito de jogo trazido pela metodologia LEGO® SERIOUS PLAY® METHODS, o conceito de jogo sério.



Referências


BROWN, Stuart. Play: How It Shapes the Brain, Opens the Imagination, and Invigorates the Soul, 2009. Disponível em:< http://www.journalofplay.org/sites/www.journalofplay.org/files/pdf-articles/2-3-book-review-2.pdf />. Acesso em: 04 de jun. 2017.


HUIZINGA, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 8edição. São Paulo: Perspectiva, 2014.


KRISTIANSEN, Per e RASMUSSEN, Robert. Construindo um negócio melhor com a utilização do Método LEGO® Serious Play®. São Paulo: DVS editora, 2015.


PIAGET, Jean. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.

ROUSSEAU, J.J., Émile ou de l´´education, livro II, GF, 1996.


SCHILLER, F. A educação estética do homem: numa série de cartas. Tradução de Roberto Schwarz e Márico Suzuki. 3ª edição. São Paulo: Iluminuras, 1995.

 
 
 

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